Se você acha estranho comprar um carro e ganhar um rifle ou ser sorteado para ganhar um caixão recheado de asinhas de frango, linguiça, cerveja, vinho e cachaça, é porque você ainda não viu o que pode ganhar os professores mais “competentes” da USP.
A ideia de premiar com computadores, ipads, projetor multimídia e ”uma viagem para um congresso internacional de sua escolha” os professores mais bem avaliados da universidade é digna da lista das promoções mais bizarras do comércio.
Será que condições de trabalho adequadas e participação em congressos internacionais para divulgação de pesquisas científicas deixou de ser uma premissa na USP para se transformar num privilégio dado aos professores mais bem avaliados?
Com esse Baú da Felicidade patrocinado pelo governo tucano de São Paulo, a USP conseguiu transformar uma demanda mais do que legítima – a valorização da docência na graduação – num escárnio.
do Estadão
USP vai premiar os melhores professores
Docentes da graduação receberão iPads, computadores e viagem a partir deste ano
17 de fevereiro de 2012 | 3h 03MARIANA MANDELLI – O Estado de S.Paulo
A Universidade de São Paulo (USP) vai premiar, a partir deste ano, os melhores professores da graduação com iPads, computadores e viagens. Os que acumularem mais pontos com base em critérios estabelecidos pela instituição receberão os prêmios. A opinião dos alunos e a produção didática vão pesar na escolha.
A premiação, aprovada ontem pelo Conselho de Graduação (CoG), vai se chamar Excelência em Docência de Graduação da USP e levará em conta seis macrocritérios: empatia com alunos, a partir de eleição entre os egressos de uma turma; produção intelectual, como autoria de livros didáticos e publicação de artigos sobre o ensino na graduação; atividades de orientação de trabalhos de conclusão de curso aprovados com louvor e de iniciação científica premiados; aplicação de disciplinas optativas livres; comprometimento institucional com a graduação, como a coordenação de turmas, áreas e cursos, além de outras atividades consideradas relevantes.
O máximo de pontos que cada critério garante é 12. Os candidatos devem se inscrever nos departamentos ou podem ser indicados. Cada escola selecionará três docentes, que serão premiados com uma placa. A Comissão de Graduação de cada unidade que vai escolher esses três professores pode contar com profissionais de outras escolas e até mesmo de outras universidades.
Um notebook será entregue para o segundo e o primeiro colocados – este receberá também um projetor multimídia e a indicação para participar do concurso que envolverá toda a USP. Como a universidade tem 42 unidades, poderão competir pelo prêmio de melhor docente da graduação 42 professores.
É o CoG que vai designar, com os mesmos procedimentos das escolas, seis profissionais, que ganharão placas personalizadas. O segundo lugar ganhará um Ipad e o primeiro, além do Ipad, uma viagem para um congresso internacional de sua escolha.
Segundo a pró-reitora de graduação, Telma Zorn, a iniciativa valoriza a graduação. Ela diz que é provável que o projeto desagrade alguns professores. “Na votação, ocorreu uma manifestação de que isso pode causar problemas, mas foi minoria absoluta. Tivemos um voto contrário e três abstenções, de quem não teve tempo de discutir a proposta.”
“O prêmio é o de menos, o mais importante é o reconhecimento do docente”, diz o professor Paul Jean Jeszensky, que participou da criação do prêmio. Na graduação, a USP tem hoje 6.008 professores para 58.680 alunos.
O CoG também aprovou ontem o programa de Tutoria Científico-Acadêmica, que dá bolsas de R$ 400 para calouros de baixa renda com alto desempenho na Fuvest que queiram elaborar um projeto de pesquisa. A proposta faz parte das políticas de permanência da USP. Eles terão apoio de um professor-tutor, que ajudará na integração deles. Os tutores que tiverem seus relatórios sobre o programa aprovados ganharão uma viagem de estudos para o exterior, para desenvolverem atividades da graduação.
Isso é tão bizarro quanto colocar os alunos de castigo na biblioteca.
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Seria trágico, se não fosse cômico. Esta é a maneira como a USP entende que deve valorizar seus professores da graduação. Com IPads e Notebooks. Então tá!!!